
Trabalhos de VICTORIA F. FICHTNER

Como fotógrafa e viajante, há alguns lugares e coisas que sonho um dia ter a oportunidade de registrar. Sítios históricos, animais selvagens, fenômenos naturais não tão comuns.

Há algum tempo me deparei com fotos incríveis de um fenômeno ainda pouco conhecido pelos cientistas, e ainda mais surpreendente para a população geral, o das tempestades elétricas sobre erupções vulcânicas. Sou fascinada por raios e tempestades, sempre que vejo uma se aproximando, tento apagar as luzes da casa e ficar olhando o céu se iluminar.
Mas em meio às nuvens de cinzas e lava de um vulcão, minha admiração chegou a um outro nível, o da fascinação. Curiosa como sou, fui pesquisar as causas disso, e elas ainda não são bem conhecidas. Achei uma explicação no site da National Geographic, de 2007, uma das primeiras relacionadas ao assunto, que vou traduzir aqui para vocês.
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Quando um vulcão entra em erupção, ele libera na atmosfera uma nuvem de gases, cinzas, lava partículas de rochas e gelo (sim, gelo). A energia produzida pela erupção por si só não seria capaz de produzir uma tempestade elétrica, mas os cientistas acreditam que esses fragmentos lançados no ar, ao colidir, produzem eletricidade estática, assim como nas tempestades elétricas normais que as partículas de gelo e água produzem essa eletricidade. O princípio seria o mesmo dos raios normais, que acontecem da seguinte maneira: No princípio todas as partículas são neutras, até que mudanças na aerodinâmica separam as cargas positivas das negativas. Com a colisão dessas partículas, o choque entre as cargas acaba por produzir eletricidade, que percebemos na forma de raios e relâmpagos. Não se sabe ao certo porque esse fenômeno ocorre, até hoje, ainda é um fenômeno pouco compreendido pelos cientistas, e o registro desse fenômeno sobre nuvens de erupções vulcânicas é ainda mais misterioso.


Explicação científica à parte, o resultado é um show de luzes extraordinário, de uma energia e beleza incomparáveis.
Eu gostaria muito, muito mesmo, de um dia ter a chance de fotografar um evento desses, mas além de perigoso estar próxima o suficiente de um vulcão em erupção à noite, não é toda vez que há uma erupção que esse fenômeno acontece, e também não é fácil conseguir fotografar uma erupção vulcânica.
Mas com certeza seria uma experiência incrível!!! Enquanto isso fiquem com os registros já feitos de alguns fotógrafos sortudos que tiveram essa oportunidade única.



VICTORIA F. FICHTNER
É sempre tão difícil falar de mim mesma, fico pensando num título para essa coluna, e sabendo que tenho que escrever uma apresentação, pra que vocês saibam quem é essa que vos escreve. Mas há tantas coisas interessantes nesse mundo a fora que valem a pena serem vistas e ditas, e eu sou parte disso, estou em constante construção, um trabalho em andamento, com sede (e fome) de mais, que é difícil definir quem eu sou, e fica difícil definir o rumo que esse espaço irá tomar.
Sou feita de estímulos, visuais, sonoros, olfativos, me alimento de sensações e de novas descobertas. A profissão é arquiteta, a paixão e também profissão (mas paixão em primeiro lugar) é fotógrafa. Meu sonho é sair percorrendo o mundo, mochila nas costas e câmera no pescoço. Já vivi na Espanha, em Barcelona, e foi o período mais incrível da minha vida. Quando um ano valeu por uma vida. De volta ao Brasil, busco resgatar aqui um pouco das emoções que tinha lá. Descobrí que não tenho um lugar no mundo, e sim que o mundo é meu lugar.
Aí surge o convite para escrever essa coluna. Já aviso, não esperem de mim disciplina e linearidade, sou guiada pelo meu coração, e ele é guiado pelo belo, pelo novo, pelo curioso, pelo intenso. Não nasci para trabalhar num escritório todos os dias das 9 às 18h, não tenho uma cor preferida, não tenho sequer uma música preferida, pois cada uma marca um momento e cria uma lembrança que faz de mim quem eu sou. Odeio a rotina, e embora nem sempre possamos fugir dela, tentarei ao máximo me rebelar contra ela, e mostrar aqui coisas que, nem que seja durante 5 minutos, tenham o dom de nos fazer esquecer das contas a pagar e clientes a atender, e viajar, na frente do computador mesmo, fechar os olhos e se deixar entrar em uma foto, como se nós mesmo estivéssemos vendo aquilo, como eu já vi e ainda pretendo ver, e depois disso, o dia pode ser um pouco mais interessante. Lugares que já estive e que quero dividir com vocês, lugares que quero estar e quem sabe estaremos juntos.
Soltem os cabelos, afrouxem as gravatas, e boa viagem!
Vick.

