Slow Travel – O gostoso de viajar devagar
Postado dia 15/03/2011
Por Suzy Galvão
Você já sentiu a sensação de que poderia ter curtido mais de uma viagem ou que pagou por serviços que nem deu tempo de usufruir ou que assim que puder vai voltar para experimentar mais da rotina cotidiana do lugar visitado?
Quem nunca se sentiu escravo de um tipo de turismo massificado no qual todos fazem as mesma coisas, visitam as mesmas atrações, freqüentam os mesmos restaurantes e hotéis? Quem nunca achou que um roteiro parece a mesmice de sempre independente de ser num destino diferente? Quem nunca ficou com a sensação de que quer voltar a mesma localidade porque não deu tempo de curtir bem a viagem, ou de conviver mais com um nativo ou de ver aquele atrativo que a agência não tinha planejado mas você tinha especial desejo em conhecê-lo?
Se você se identificou neste texto provavelmente é um escravo do lazer, mesmo que nunca tenha parado para pensar nisso. Mas não só você o é, muitos de nós somos reféns desta realidade.
Com os inúmeros pacote turísticos que encontramos é comum ver programações exaustivas com todos os horários reservados para que você possa conhecer o maior número de lugares no menor tempo possível e assim ter a sensação que viajou e conheceu muito, porém esta é uma falsa impressão, pois na verdade, em muitos casos você passa tão rápido pelos lugares que mal conhece sobre ele, passando às vezes, mais tempo nos aeroportos fazendo escalas do que curtindo a viagem.
Em resposta às nossas preces por um tipo de turismo mais completo, menos corrido, mais vivencial, surge o Slow Travel, tendência que representa uma fuga dos pacotes em massa e a procura por algo que realmente alcance suas expectativas quanto a viagens.
O Slow Travel é considerado mais que uma modalidade de turismo, é um estado mental, uma filosofia de vida. Inspirado no slow food, movimento que valorizava os verdadeiros prazeres da boa mesa, o slow travel culpa a pressa como a grande inimiga das viagens perfeitas. Portanto, nada de roteiros ao estilo périplo japonês, em que levas de grupos percorrem a Europa toda (leia-se dez capitais em sete dias) e voltam para casa mais cansados do que estavam antes do embarque. Slow travel é justamente o oposto: visitam-se menos lugares num intervalo de tempo, porém a imersão é total. Em outras palavras, basta de ziguezaguear por cartões-postais, pois em poucos dias não se pode ver tudo, mas, em compensação, conhece-se bem melhor o que visitar. O que propõe a tendência é conhecer menos lugares para desfrutar de todos os prazeres da viagem.
Para entender mais a fundo o Slow Travel é necessário compreender a acepção da palavra. O Slow Travel é uma expressão da língua inglesa que corresponde a Viagem Lenta e vem de Slow Food - movimento criado na Itália no final da década de 1980 para contestar a padronização dos hábitos alimentares decorrentes da globalização e do aumento das redes de fast-food em todo mundo, e apoiar e divulgar a boa comida e um ritmo de vida mais lento[1].
O Slow Travel na verdade é um movimento de evolução que tem tido sua inspiração do século XIX, em escritores de viagens europeus, que reagiram contra o culto da velocidade, além de obras literárias também identificadas com a longa viagem, que apresentavam uma estrita ligação com a comunidade como sua característica mais marcante.
Assim, o Slow Travel propõe ao turista uma maior intimidade com a comunidade e o ambiente, sem pressa e sem superficialidade. Pode ser compreendido com um segmento que traz a verdadeira oportunidade para que o turista possa viver a experiência turística, única, profunda e completa como ela deve ser.
Dentre as vantagens relacionadas ao Slow Travel, maior possibilidade de desenvolvimento sustentável do turismo é talvez a mais importante. Por estar em expansão no mercado turístico e propiciar uma maior ocupação dos destinos durante todo o ano, é uma alternativa que pode gerar uma receita maior nos destinos, em comparação às formas de turismo mais adotadas nas décadas passadas.
Além disso, a maior preocupação dos turistas com a sustentabilidade sócio-ambiental faz do Slow Travel a opção mais viável para governos e empresas que visam ao crescimento do turismo em suas regiões. Por isso, a sustentabilidade deve ser não só um forte elemento da promoção de marketing quanto ao Slow Travel, mas também um pré-requisito a ser constantemente considerado pela administração, quando do planejamento e realização das atividades turísticas.
Pouco conhecido, tanto no Brasil como em diversos outros países do mundo, o Slow Travel é uma tendência que vem crescendo significantemente a cada dia devido a sua relação intrínseca com a preservação do meio ambiente e da cultura, opondo-se ao turismo massificado, citado anteriormente, mostrando-se oposto a necessidade de usufruir ao máximo o tempo disponível, muitas vezes de maneira superficial, e propondo aos turistas uma interação profunda com o ambiente e a comunidade visitada.
No movimento conquista cada vez mais espaço no mercado, a ponto de operadores e agentes de viagem organizarem, especificamente, um variado menu de opções para os fãs desse segmento turístico que não abre mão de conforto, qualidade e, sobretudo, tempo para degustar melhor o período de lazer. De acordo com especialistas da área, esta é uma tendência que está tendo muita aceitação, inclusive no Brasil apesar de ainda em fase inicial, e é esperado grande demanda com a entrada de novos produtos no país ao estilo slow.
Segundo o publicação no blog do turismólogo Panosso Netto em 2010
[...] podemos estar vivendo, ou ao menos buscamos viver, a era da experiência. A sociedade já está dando sinais disso. Esse momento se caracteriza pela busca de novos horizontes onde o ser humano possa expressar os seus mais guardados segredos e possa se maravilhar com o novo, com o simples, com o singelo, com o belo e com o feio. Também é esse novo anseio que faz com que nos envolvamos mais com ações sociais, de preservação do meio ambiente, de ajuda humanitária. Buscamos um sentido para nossas vidas, para que não a vivamos de forma vazia.
Portanto, tendências como esta do slow travel, que levem ao turismo experiencial devem ser encorajadas, já que as mesmas trazem muitos benefícios e atendem às nossas expectativas, pois afinal quem não quer voltar de viagem com aquele gostinho de que realizou seu sonho e curtiu ao máximo cada cantinho e cada sensação?
Se você ficou com gostinho de querer vivenciar esta nova tendência e quer experimentar o gostoso de se viajar devagar, faça como eu e inicie logo seu programa de férias slow e viva a real experiência de se fazer turismo.
REFERÊNCIA
PANOSSO NETTO, Alexandre. A era da experiência. Disponível em: <http://panosso.blogspot.com/2010_04_01_archive.html>. Acesso em: 30 Jun, 2010.
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