Competitividade das doze cidades-sede das da Copa do Mundo FIFA de 2014
Competitividade das doze cidades-sede das da Copa do Mundo FIFA de 2014
A competitividade das doze cidades-sede da Copa do Mundo FIFA de 2014 foi tema recente de uma dissertação de Mestrado em Turismo e Meio Ambiente. Os resultados foram apresentados pela pesquisadora Luciana Lopes Pereira no VIII Seminário da ANPTUR - Associação Nacional Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo, de
O trabalho utilizou ferramentas estatísticas para analisar parâmetros turísticos, socioeconômicos e de sustentabilidade que permitiram comparar as cidades e determinar a capacidade de cada uma das doze capitais de enfrentar os desafios trazidos pela Copa. Por se tratar de um megaevento, considerado o acontecimento desportivo que atrai mais intensamente o interesse do público, havendo previsão, inclusive, de que o país será notícia para cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, o planejamento brasileiro para a Copa de 2014 não pode ocorrer com uma base simplista de dados. Portanto, nesta pesquisa, houve o cuidado em investigar-se um conjunto substancial de informações composto por dados econômicos (despesas municipais em saúde, educação, cultura, comércio e serviço, urbanismo e gestão ambiental; ISSQN – Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza, contemplado como a receita municipal; PIB – Produto Interno Bruto). Dados turísticos (capacidade hoteleira e aeroportuária). Dados sócio-culturais: estatísticas de violência; número de leitos hospitalares e IDH-M – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal. E dados referentes à taxas de acesso a serviços públicos, o qual representou o índice de sustentabilidade (taxa de acesso à rede de esgoto, água canalizada, coleta de lixo e eletricidade; percentual da população com tratamento de lixo e percentual de água que é perdida por dia nas diferentes redes de abastecimento de cada cidade). O principal objetivo da pesquisa foi realizar um diagnóstico detalhado das doze cidades-sede da Copa de 2014 para auxiliar na priorização de estratégias público-privadas que pudesse beneficiá-las, de forma a gerar desenvolvimento em diversos aspectos durante o megaevento, além de um legado pós-jogos: transmitir uma boa imagem do país, renovando-a no exterior, e também melhorar a estrutura urbana a ser usufruída pela população, gerar capacitação, empregos e maior qualidade de vida.
Resultados:
Os resultados da pesquisa mostraram que dentre as doze cidades, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Natal foram as que se mostraram mais eficientes, apesar de apresentarem alguns pontos fracos que devem ser tratados com atenção especial por seus respectivos gestores.
São Paulo, apesar de possuir a maior rede hoteleira do país, apresenta os menores valores de número de leitos per capita e, portanto, terá problemas, caso não haja uma expansão em sua infra-estrutura turística. Salvador e Rio de Janeiro foram as cidades que se mostraram mais carentes de medidas de combate à violência. Porto Alegre possui um índice muito elevado de despesas municipais e Natal precisa melhorar sua capacidade aeroportuária, além da necessidade visível em ampliar o acesso a serviços públicos, que colocam em risco a renda e a sustentabilidade municipal. Ainda assim, estas cinco capitais são as que melhor conseguem reverter seus investimentos municipais no desenvolvimento sócio-econômico municipal eficiente. Para efeito de análise é importante ressaltar que não cabe a este estudo indicar quais cidades estão mais avançados ou atrasados em seu desenvolvimento, nem tampouco afirmar que as cidades com 100% de eficiência DEA estão turisticamente preparadas de forma sustentável, mesmo porque foram mencionados problemas que estas cidades-sede enfrentam. Vale ressaltar ainda que não existe, em termos mundiais, uma cidade totalmente sustentável e considerando a realidade brasileira seria utopia fazer tal afirmação. Portanto, a afirmação que se pode fazer é que cinco cidades-sede apresentaram um melhor desempenho quando foi feita a análise comparativa de seus dados em conjunto com as demais cidades-sede. Em outras palavras, elas utilizaram os seus insumos de maneira mais adequada ao obter maiores resultados (produzir mais saídas) com menos entradas. Em função da otimização aplicada ao turismo e à sustentabilidade, foi possível apontar alguns aspectos relevantes sobre as demais cidades-sede.
Belo Horizonte é a capital que tem a maior proporção da população com acesso a serviços públicos, mas apresenta graves problemas com violência e hotelaria escassa. O mesmo nível de violência foi observado em Curitiba, mesmo sendo a segunda cidade que mais investe em serviços públicos, ficando atrás apenas de Brasília, neste quesito. Cuiabá deixa a desejar em vários aspectos: baixa capacidade aeroportuária, violência e falta de acesso a serviços públicos.
Recife tem o maior índice de violência e está entre os piores
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