A Arte de Escrever

Por Suzy Galvão


Onde, como ou o que é a arte de escrever?

Autores como Arthur Schopenhauer, Ryoki Inoue e diversos outros vem escrevendo sobre a arte de escrever. Todos eles discutem se há ou o que caracterizaria a linha divisória para o que seria considerado arte em escrever ou não.

Neste momento aproprio-me das palavras de Graciliano Ramos, que ao falar da arte de escrever cita "Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas onde fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, então jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano, uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.

Atualmente existem manuais ensinando como ou o que escrever para transformar um texto em arte, mostrando ordem, estrutura, sintaxe, elementos a abordar, linguagem apropriada, etc, porém, é desta forma que se chega a arte? Não digo que o treino e a abordagem correta dos elementos não levam a um nível mais avançado na escrita, mas isso é suficiente para se fazer arte? Seria a obediência de certos parâmetros e instruções na forma de escrever que levariam ao aperfeiçoamento ao ponto de tornar-se arte?

Em minha humilde experiência sobre a escrita, seja em turismo ou áreas distintas, não creio que estes elementos sejam suficientes. Cada pessoa tem uma maneira de se expressar e esta maneira pode ser considerada em diversos aspectos, sendo o intento final a comunicação, o entendimento da mensagem. No entanto, para que esta transmissão da mensagem se transforme em arte, deve-se ir muito além de o simples falar, deve-se ter uma razão final a ser atingida, deve-se encantar, ter sentido e lógicas próprias, que podem coincidir com normas e técnicas ensinadas por nossa academia, mas que também podem apenas vir e fazer história, com moral e valores que transformam a sociedade, contadas, por exemplo, através de conto infantil como fez Saint Exúperi em O Pequeno Príncipe.

Ryoki Inoue em seu manual “O Caminho das Pedras” mostra que há procedimentos técnicos ou literários a seguir, orientações a respeito de criação literária, do roteiro para a montagem do projeto de um livro, etc. Este autor já escreveu e publicou mais de 1.075 livros. Certamente que ele tem algo relevante a nos ensinar sobre a escrita, mas o essencial não está acessível em manuais, está em sua mente!

Adaptando as palavras de Walt Disney, minha mente é o lugar “onde os sonhos tornam-se realidade”. É a partir dela que meus sonhos saem até minha voz e desta forma até o papel, e o que antes parecia um conto, torna-se realidade como num passe de mágica. Bem, passe de mágica propriamente dito não, requer muito esforço e dedicação, horas a fio de trabalho e comprometimento que se misturam com prazer e dedicação, mas que transformam algo antes pensado só em sonho em concretude.

Ao escrever sobre turismo, o que seria considerado arte? Algumas pessoas considerariam a ciência, o transcender do conhecimento científico e a quebra de paradigmas como a verdadeira arte na escrita do turismo, outras simplesmente se deslumbrariam ao ouvir contar estórias e aventuras vividas em viagens pelo mundo, ou simplesmente uma criança falando de seus sonhos de conhecer um mundo grande e desconhecido, cheio de vida a experimentar.

Bem, quem poderá definir o que é arte na escrita do turismo? É necessário um olhar mais profundo sobre o que é turismo ou o que ele representa para você mesmo, muito mais além do que ele representa para a sociedade como atividade sócio-produtiva. Analisemos o conceito de arte atualmente, este transpassa o entendimento de quem está a observar. Muitas vezes vemos obras que não compreendemos o porquê de ser considerada arte e nem por isso estas deixam de sê-lo.

Certa vez, escutei de um renomado professor e escritor de turismo do Brasil, que “AS PESSOAS AO ESCREVEREM SOBRE O TURISMO, MUITAS VEZES SÃO FUTÉIS E ARROGANTES”. Corroborando com este pensamento, creio que muitos poderiam chegar a esboçar uma definição sobre o que é a arte de escrever em turismo, pois, por vezes são guiados por sua empáfia e sentimento de superioridade, também atribuídos por seus títulos e currículos impecáveis na área, sejam acadêmicos ou sociais, que os fazem pensar que são os únicos a terem conhecimento e/ ou capacidade para escrever o turismo. Contudo, paremos para pensar sobre aqueles que escreveram contos, poemas ou qualquer outro tipo de escrita, literária ou não, que estimularam milhares de pessoas a viajarem pelo mundo em buscar de vivenciar as aventuras tão excitantes e singulares que só o turismo pode trazer, dentre eles encontramos desenhistas, cartunistas, ou apenas o pai de uma curiosa garotinha que queria saber mais sobre o que lhe esperava lá fora, pessoas que, a princípio, poderiam parecer não ter nada a acrescentar para o engrandecimento da área - já que seus conhecimentos são restritos - mas que através de sua arte de escrever revolucionaram o turismo em suas obras que despertou o desejo pela viagem.

Seja por trabalho ou por lazer, escrever estimula a atividade cerebral. Pesquisas mostram que pessoas que escrevem têm menor probabilidade de desenvolverem doenças como Mal de Alzheimer. Além disso, escrever faz bem ao corpo e à mente, pois ao lembrar-se de fatos ou ao tentar descobrir soluções para equações ou resoluções para problemas cotidianos ou científicos, estimulamos partes do cérebro e liberamos substâncias que nos dão a sensação de prazer e satisfação.

E você, também está interessado (a) em ingressar neste mundo de experiências intelectuais de prazer inenarrável que escrever sobre turismo pode te trazer? Então caneta e papel na mão e mãos à obra!!!