Quando Milão se transforma
abril 26, 2012
Estamos
Milão é uma cidade cinza. Cheia de gente rabugenta, que vive reclamando da vida, e que tem quase 30% da população acima dos 65 anos de idade, ou seja, bastante conservadora. É estranho pensar como um lugar com estas características tenha sido o cenário do período mais fantástico da minha vida adulta até hoje. Mas assim funcionam as coisas, tudo tem sempre os dois lados. Dicotomia é mais fácil encontrar na novela das 8 do que na vida real, não é mesmo?
Hoje vou falar então sobre uma das tantas coisas boas que posso citar desta cidade, e que fascina visitantes do mundo inteiro: o Salão do Móvel de Milão. Pelo nome, assim pomposo, parece ser só mais uma feira gigante, onde pessoas se encontram para ver quais serão os próximos lançamentos da indústria do móvel. Mas o Salão é muito mais do que isto, e o melhor dele nem está dentro da feira, mas nos chamados Fuori Saloni, eventos e mostras paralelas que envolvem, enfeitam e movimentam toda cidade. Nesta semana, parece que Milão acorda de uma hibernação que dura quase o ano inteiro, rejuvenesce, muda de cor, para depois voltar ao seu estilo de cidade sóbria, séria e responsável, reassumindo o seu posto de capital econômica industrial italiana.
No Salão do Móvel, pra começar, nem é só móvel que se vai encontrar, mas uma infinidade de instalações artísticas, muito design gráfico e de produto e alguma coisa de arquitetura. Além de muitos coquetéis e festas open bar. Tudo isto junto se potencializa e vira uma bomba de inspiração para quem atua em todos estes setores. E pra quem não atua também. Vira inspiração para uma vida mais colorida e criativa...
Pra quem vai, a minha dica é concentrar menos tempo pra feira e mais tempo para os eventos externos. Além dos guias distribuídos nos eventos, existem muitos sites, como o fuorisalone.it, com a lista de tudo o que está rolando, o que já facilita pra fazer roteiros antes mesmo de começar a bater perna.
Tendo frequentado quatro Salões seguido, acho que é mais impactante visitar de dois em dois anos (a não ser que se esteja morando por perto), já que não se percebem tanto as inovações de um ano para o outro. Uma coisa que me deixou um pouco desiludida no último Salone que visitei, em 2010, foi a pobreza em termos de novidades. Nos fuorisalone sempre vamos encontrar instalações fantásticas e divertidas, peças ainda em fase de experimentação produzidas por jovens designers (e portanto ainda não tão comerciais e mais conceituais), mas parece que a crise européia fez as empresas deixarem de apostar no novo, que ainda não dava lucro, para expor no Fuorisalone produtos de linha. Empobreceu um pouco. Também notei o mesmo processo na Bienal de Venezia em 2010, que foi decepcionante com relação às anteriores.
Tomara que ano que vem eu consiga me organizar pra passar uma semaninha 

Uma das instalações dos fuori Salone em 2009, no prédio da Univerisdade Católica de Milão

Dois Stands da Zona Tortona, Salão do móvel 2010
Postado por Arquitetrips.
